Aurea Mediocritas @ 12:05

Seg, 23/08/10

 

Então é assim: Parece que Lobo Antunes descreveu numa entrevista (recolhida no livro "Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes", de João Céu e Silva) o que o seu batalhão teria feito, por forma a acumular pontos para poderem ir para melhores localizações, "Fazíamos tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros."

 

Quando grupos de ex-combatentes mostraram o seu incomodo com este tipo de afirmação (vertido em declarações de intenção de lhe chegar a roupa ao pelo), Lobo Antunes terá respondido: "Não sou historiador, os meus livros são romances, e tudo o que escrevo passa pela verdade da ficção. Qualquer outra interpretação é abusiva. Começo a ficar cansado de constantes invasões à minha vida privada e das más interpretações do que escrevo ou digo".

 

Acontece que esta afirmação foi feita num livro que é construido como uma grande entrevista ("Uma entrevista que é uma longa-metragem dos muitos medos e das poucas alegrias que fazem de António Lobo Antunes um escritor que parece viver no limiar do apocalipse pessoal e que afirma ter no ofício da escrita a sua razão de viver".), o que pode levar almas menos atentas às regras da produção literária ou do freepass dado nestas coisas aos escritores, a concluir que Lobo Antunes se referia a factos reais.

 

Por favor, acreditem que vou ser muito sincero no que vos vou dizer a seguir:

 

Gostava que alguém me dissesse o que é que eu não estou a perceber aqui.




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