Aurea Mediocritas @ 20:10

Qui, 04/02/10



Num dia de grande instabilidade na bolsa de Lisboa, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acusou os mercados internacionais de terem um «espírito animalesco» em relação a Portugal.

«[Os mercados internacionais] estiveram muito focados numa presa até agora que era a Grécia, agora viraram-se para nós [Portugal]. Entendo que sem razão», sublinhou.

 

Quero já desde já solidarizar-me com a perplexidade do Ministro das Finanças relativamente à reacção dos mercados.

 

Nada na sua formação ou mesmo no seu job description o poderia preparar para tão inusitada resposta a um Orçamento de Estado tão sensato.

 

Quando o país se encontra à beira de um abismo económico e cabeças mais quentes pedem acções decisivas e radicais, é bom ver que o Senhor Ministro mantem a frieza que caracteriza os verdadeiros líderes e preconiza pequenas ou nenhumas mudanças.

 

 Este desassombro perante  real, esta independencia face aos factos é de louvar e de emular. Pois não seria muito mais fácil iniciar reformas, saneamentos, cortes e as outras panaceias que espiritos mais radicais preconizam, e dessa forma de um modo apressado e descuidado resolver o problema?

 

Não. Isso seria demasiado fácil. O caminho para fora desta crise faz-se olhando-a de frente e entrando corajosamente  por ela adentro, para sairmos só quando não houver mais crise para suportar!

 

O nosso caminho é o das pequenas concessões e da procura dos consensos, o nosso caminho é o do corajoso fim das deduções fiscais na compra dos computadores equilibrado pela dedução na compra de vidros duplos; do draconiano limite do incentivo à compra de carros eléctricos aos primeiros 5 mil suavizado pela preocupação social que orientou a criação das Contas Poupança Futuro.

 

E é através deste delicado e complexo jogo de gestão de expectativas que o governo espera que tudo o que põe seja igual ao que tira; deixando-nos exactamente onde estamos.

 

É claro que este tipo de rarefeito raciocinio económico é dificil de seguir pela maior parte de nós. Mas isso resulta de não podermos ver aquilo que o Senhor Ministro vê com tanta clareza.

 

O interior do seu esfincter.

 



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