Sr. Rocha da Internet @ 19:30

Seg, 30/08/10


 

Sou uma das pessoas que melhor diz Ahmadinejad no mundo. Sou também uma das que melhor o escreve. Estou muito feliz. Não só por mim como por todos nós. Ainda por cima quando o Irão está tão na moda. Dá logo a entender a minha modernidade. Por exemplo, ainda na semana passada o "regime de Teerão"... Adoro dizer isto! Façamos uma pausa. É que... foda-se, esta merda é linda! "O regime de Teerão". Compreendem a densidade poética disto? Estamos quase no nível Hélder Conduto quando se refere à "formação flaviense" ou ao "esquadrão minhoto", mas sem aquele entusiasmo, claro. Acontece que num qualquer "regime de Teerão" há todo um desprezo digno dos grandes intelectuais que conhecem e informam. Há, aliás, um certo lado S&M na expressão, como quem diz "põe-nos de 4, Ahma". E ele põe, claro. Como eu dizia há pouco, ainda esta semana o presidente da república democrática do Irão anunciou uma nova máquina de guerra que diz ser um "mensageiro da paz que mata".

 

Agora que recuperámos todos os sentidos, gostaria de vos contar uma história da minha intimidade social. Há uns anos, um amigo apreciador daquelas expressões à Hélder Conduto, costumava atirar-se aos profissionais de futebol com insultos um tanto ou quanto estranhos. Certo dia, depois de um disparate qualquer, dirigiu-se à pequena televisão do café onde habitávamos e gritou em fúria: "seu trengo filho da puta". Pelos vistos, este género de eufemismo fez escola e chegou ao Irão. É que, no fundo, um mensageiro da paz que mata é um trengo filho da puta. Estes toques sui generis devem ser tidos em conta porque exprimem uma certa indignação com o exterior. Pode não ser nada, mas nunca se sabe.

Por isso, se calhar era melhor regressarem todos ao Camões, já que levar com um aviãozito destes nos cornos é capaz de foder os meus direitos humanos.



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